A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (6) a Operação Chihuahua, em Central de Minas, no Vale do Rio Doce (MG), contra um grupo suspeito de organizar a viagem irregular de mais de 270 brasileiros para os Estados Unidos entre 2021 e 2024. Segundo a investigação, cada pessoa pagava cerca de US$ 20 mil (perto de R$ 100 mil) pela promessa de chegar ao território americano.
Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão no município. A Justiça também autorizou o sequestro de veículos e o bloqueio de até R$ 27 milhões em bens e valores ligados aos investigados. As reportagens publicadas até agora não mencionam prisões.
Como o esquema funcionava, segundo a PF
De acordo com a apuração, o principal suspeito cuidava de toda a logística: a saída dos migrantes do Brasil em voos comerciais, a passagem pelo México e a travessia irregular para os EUA. Ele teria a ajuda de um irmão, apontado como seu braço-direito, e de outras sete pessoas.
A parte financeira chamou a atenção dos investigadores. Sete empresas ligadas ao grupo movimentaram cerca de R$ 270 milhões entre 2019 e 2024. Desse total, quase R$ 12 milhões teriam saído diretamente do contrabando de migrantes. A suspeita é que empresas de fachada eram usadas para esconder a origem do dinheiro. Os investigados podem responder por contrabando de migrantes, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Todos são tratados como suspeitos até o fim do processo.
Uma rota conhecida no leste de Minas
O Vale do Rio Doce, região de Governador Valadares, é há décadas uma das maiores origens de brasileiros que vivem nos EUA, sobretudo em Massachusetts, Nova Jersey e Flórida. Isso também faz da região um alvo frequente de coiotes, que cobram caro e expõem os migrantes a sequestros, extorsões e à travessia do deserto.
O cenário nos EUA tornou essa aposta ainda mais arriscada. Quem entra sem inspeção fica sujeito a prisão pelo ICE e a deportação acelerada, e pode ser impedido de pedir visto ou green card por anos. Os voos de deportação para Confins seguem frequentes em 2026.
Como reconhecer uma oferta ilegal
- Promessa de “entrada garantida” nos EUA mediante pagamento.
- Cobrança em dinheiro vivo, em parcelas ou com garantia em imóvel da família.
- Orientação para mentir na imigração ou usar documento de outra pessoa.
- Roteiro com escala no México sem visto americano válido.
Nenhum despachante, agência ou advogado pode garantir a entrada de alguém nos EUA. Quem decide é o oficial da CBP na fronteira ou no aeroporto.
O que muda para você
Se você já mora nos EUA e recebe pedidos de parentes no Brasil para “ajudar a trazer” alguém, a orientação é não intermediar pagamentos nem indicar contatos. Denúncias podem ser feitas à Polícia Federal pelo site gov.br/pf.
Para quem precisa resolver a vida no Brasil sem viajar, há caminhos legais: uma procuração feita no consulado permite que alguém de confiança cuide de bens, contas e documentos por você. E manter o passaporte brasileiro em dia evita depender de qualquer atalho na hora de viajar.
Fonte: CNN Brasil