Se você é eletricista no Brasil e sonha em trabalhar na sua área nos Estados Unidos, saiba que esse caminho existe — mas exige planejamento, documentação e, acima de tudo, paciência com um sistema bem diferente do brasileiro. A boa notícia é que a demanda por eletricistas nos EUA está em alta, os salários são competitivos e a profissão abre portas para quem está disposto a se adaptar.
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ToggleNeste artigo, você vai entender como funciona o mercado de trabalho para eletricistas nos EUA, quais licenças são necessárias, como funciona o sistema de aprendizagem (apprenticeship), quanto se ganha e quais os primeiros passos práticos para brasileiros que querem ingressar nessa área.
Por Que a Profissão de Eletricista É Uma das Mais Procuradas nos EUA
Os Estados Unidos enfrentam uma escassez crônica de profissionais de trades — termo usado para ofícios técnicos como eletricista, encanador e carpinteiro. De acordo com o Bureau of Labor Statistics (BLS), a projeção de crescimento para a área de eletricistas está acima da média nacional, impulsionada pela expansão de construções residenciais, industriais e principalmente pela transição energética, com a instalação em massa de painéis solares e sistemas de carregamento elétrico para veículos.
Para o brasileiro que já tem experiência na área, isso representa uma vantagem real: você chega com um conhecimento técnico sólido. O desafio está em adaptar esse conhecimento às normas locais e conquistar as credenciais americanas exigidas pelo mercado.
Como Funciona o Sistema de Licenças para Eletricistas nos EUA
Diferente do Brasil, onde a regulamentação da profissão é federal (via CONFEA e CREA), nos Estados Unidos as licenças de eletricista são emitidas por cada estado — e em muitos casos, por cada condado ou cidade. Isso significa que a licença válida na Flórida não necessariamente serve em Massachusetts ou no Texas.
Existem três níveis principais de licença que você precisa conhecer:
1. Electrician Apprentice (Aprendiz)
É o nível de entrada. O aprendiz trabalha sob supervisão de um eletricista licenciado e participa de um programa formal de aprendizagem. Não exige experiência prévia nos EUA, mas a maioria dos programas exige que você seja alfabetizado em inglês e passe por um teste de admissão com conteúdo básico de matemática.
2. Journeyman Electrician
Após completar o programa de apprenticeship (geralmente 4 a 5 anos) e acumular as horas exigidas de trabalho supervisionado, você pode solicitar a licença de Journeyman. Com ela, você pode trabalhar de forma independente em obras e projetos residenciais e comerciais, ainda que não possa assinar projetos como responsável técnico.
3. Master Electrician
É o nível mais alto da profissão. O Master Electrician pode abrir sua própria empresa de elétrica, assinar projetos e supervisionar outros eletricistas. Para obtê-la, além das horas exigidas como Journeyman, você precisa passar em um exame técnico rigoroso baseado no National Electrical Code (NEC).
O Programa de Apprenticeship: A Porta de Entrada Mais Comum
Para a maioria dos brasileiros que chegam aos EUA sem uma licença americana, o programa de apprenticeship é o caminho mais estruturado e reconhecido para entrar no mercado. Esses programas são geralmente gerenciados por sindicatos — o mais conhecido é o IBEW (International Brotherhood of Electrical Workers) — ou por associações de contratantes, como a NECA.
O aprendiz trabalha durante o dia e estuda à noite ou nos fins de semana. O programa dura em média 4 a 5 anos, com cerca de 2.000 horas de trabalho por ano. A boa notícia é que você recebe salário durante o aprendizado — geralmente a partir de 40% a 50% do salário de um Journeyman, com aumentos progressivos a cada ano concluído.
Para se inscrever, os requisitos mais comuns incluem: ter pelo menos 18 anos, ensino médio completo ou equivalente (o GED americano é aceito), carteira de motorista válida e ser autorizado a trabalhar nos EUA (ter um visto de trabalho ou green card).
Quanto Ganha um Eletricista nos EUA
Os salários variam bastante dependendo do estado, do nível de experiência e do tipo de obra. Mas os números são expressivos se comparados ao mercado brasileiro. Veja uma estimativa por nível:
• Apprentice (anos iniciais): entre US$ 18 e US$ 25 por hora
• Journeyman Electrician: entre US$ 28 e US$ 45 por hora
• Master Electrician: entre US$ 40 e US$ 60 por hora ou mais, dependendo da região
Em estados como Califórnia, Nova York, Massachusetts e Washington, os valores tendem a ser mais altos, refletindo o custo de vida local. Estados do Sul e do Meio-Oeste costumam ter salários menores, mas com custo de vida proporcionalmente inferior. Um Journeyman trabalhando 40 horas semanais em um estado de salário médio pode ganhar entre US$ 60.000 e US$ 85.000 por ano bruto.
Você Precisa Falar Inglês Fluente?
Inglês fluente não é obrigatório para começar, mas é fundamental para progredir. Muitas obras têm crews (equipes) com trabalhadores hispânicos e brasileiros, e é possível se comunicar no dia a dia com um inglês básico. Porém, os exames de licença são em inglês, os manuais técnicos (como o NEC) são em inglês, e as melhores oportunidades de emprego exigem comunicação clara com supervisores e clientes.
Investir no aprendizado do idioma é parte do caminho. Se você ainda está começando, confira algumas dicas práticas em nosso artigo como aprender inglês rápido — pequenas mudanças de hábito fazem grande diferença no dia a dia.
Documentação e Situação Legal: O Que Você Precisa Ter
Para trabalhar legalmente como eletricista nos EUA, você precisa ter autorização de trabalho. Isso pode vir por meio de diferentes situações: visto de trabalho (como o H-2B ou O-1), green card, cidadania americana ou status de residente temporário protegido (TPS).
Trabalhar sem autorização legal além de colocar em risco sua permanência no país também bloqueia o acesso aos programas de aprendizagem formais e à obtenção de licenças estaduais. Regularizar sua situação migratória é, portanto, um passo anterior e essencial.
Se você tem dúvidas sobre sua situação imigratória atual, entender como consultar o status da sua imigração nos EUA pode ser um bom ponto de partida antes de planejar sua transição de carreira.
Como Validar Sua Experiência Brasileira nos EUA
Infelizmente, não existe um processo simples de equivalência de diploma ou registro profissional para eletricistas entre Brasil e EUA. O conhecimento técnico que você tem é valioso, mas precisará ser demonstrado por meio dos canais americanos: testes de admissão para apprenticeship, entrevistas com empregadores e, futuramente, os exames de licença.
Alguns empregadores menores, especialmente em obras residenciais, podem contratar eletricistas experientes mesmo sem licença americana, colocando-os em posições de ajudante ou aprendiz informal. Isso pode ser um passo para ganhar experiência local, mas não substitui a trajetória formal para quem quer crescer na profissão.
Uma alternativa que vem crescendo é a certificação pelo NCCER (National Center for Construction Education and Research), que oferece currículos padronizados de elétrica com reconhecimento em todo o país. Ter esse certificado pode acelerar sua entrada em programas de aprendizagem e demonstrar credibilidade para empregadores.
Dicas Práticas para Quem Está Começando
O primeiro passo é entender as exigências específicas do estado em que você pretende trabalhar, já que cada um tem seu próprio órgão regulador e critérios de licenciamento. Uma pesquisa no site do state licensing board do seu estado já resolve muitas dúvidas.
Criar uma rede de contatos com outros brasileiros na área é outro passo muito importante. Grupos de brasileiros em trades no Facebook, Instagram e WhatsApp podem indicar empresas que contratam imigrantes, programas de apprenticeship abertos e dicas práticas do dia a dia.
Por fim, organize seus documentos desde cedo: diplomas, certificados de cursos técnicos feitos no Brasil, cartas de referência de empregadores anteriores. Mesmo que a equivalência formal não exista, esses documentos podem ser úteis em entrevistas e para comprovar experiência.
O Que Esperar no Longo Prazo
A profissão de eletricista nos EUA oferece uma trajetória clara de crescimento. Com o tempo e a licença de Master Electrician na mão, é possível abrir sua própria empresa, contratar outros profissionais e expandir para nichos altamente rentáveis como instalação solar, automação residencial e projetos comerciais de grande porte.
Muitos brasileiros que entraram no mercado de trades há 10 ou 15 anos hoje têm suas próprias empresas, empregam dezenas de pessoas e construíram patrimônio sólido nos Estados Unidos. O caminho não é fácil nem rápido, mas para quem está disposto a seguir as etapas corretas, as recompensas são reais e duradouras.
Conclusão
Trabalhar como eletricista nos EUA é um objetivo alcançável para brasileiros com experiência na área e disposição para se adaptar ao sistema americano. O segredo está em entender que a jornada começa com o programa de apprenticeship, passa pela obtenção das licenças estaduais e avança conforme você acumula experiência e conhecimento local.
Com demanda aquecida, salários atrativos e uma carreira que cresce junto com a infraestrutura do país, essa pode ser uma das escolhas profissionais mais sólidas para quem veio ao Estados Unidos construir uma vida estável e próspera.




