A certidão de antecedentes criminais do FBI é um dos documentos que mais gera dúvida entre brasileiros que vivem nos Estados Unidos. Ela aparece de repente em processos de cidadania, pedidos de green card, casamento, adoção ou até para voltar a viver no Brasil, e quem nunca solicitou fica perdido sobre onde começar.
O nome oficial do documento é Identity History Summary, mas ele também é chamado de “rap sheet” ou verificação de digitais do FBI. Na prática, é o histórico criminal federal americano, elaborado a partir das impressões digitais do solicitante.
Diferente da certidão de antecedentes da Polícia Federal brasileira, que é consultada pelo CPF, o documento do FBI depende de coleta de digitais e de um processo específico junto ao órgão americano. Entender cada etapa evita atrasos de semanas e retrabalho.
O que é exatamente a certidão de antecedentes criminais do FBI
O Identity History Summary reúne registros de prisões, condenações e, em alguns casos, informações sobre naturalização ou serviço militar, sempre vinculadas às impressões digitais da pessoa. Todas essas informações vêm de agências de justiça criminal autorizadas que reportam ao FBI.
Se não houver nenhum registro em seu nome, o resultado é uma carta informando que não foi localizado histórico de prisões, o famoso “no record”. Esse documento também é considerado válido como certidão oficial do FBI.
Vale reforçar que esse relatório é federal e nacional: ele consolida dados dos 50 estados americanos e do Distrito de Columbia, algo que uma certidão estadual isolada não cobre.
Quando um brasileiro precisa desse documento
Brasileiros que moraram nos Estados Unidos por mais de seis meses consecutivos após completar 18 anos costumam precisar apresentar essa certidão em processos oficiais, tanto nos EUA quanto no Brasil. Os cenários mais comuns incluem:
- Processos de cidadania americana ou green card por casamento e parentesco;
- Pedidos de adoção internacional;
- Retorno definitivo ao Brasil, quando a certidão é exigida para vistos, empregos ou processos judiciais;
- Casamento com estrangeiro em outro país;
- Matrícula em algumas faculdades ou processos de licenciamento profissional.
Se o destino final do documento for outro país, como o Brasil, quase sempre será necessário apostilar o Identity History Summary depois de emitido. Isso porque cartórios e órgãos brasileiros só reconhecem documentos americanos com apostila de Haia válida.
Passo a passo para solicitar seu histórico junto ao FBI
O processo tem essencialmente três etapas: preencher o formulário de solicitação, coletar as impressões digitais e enviar tudo junto ao pagamento da taxa. Existem três caminhos possíveis para fazer isso.
A primeira opção é solicitar diretamente ao FBI, preenchendo o Applicant Information Form e enviando o cartão de digitais FD-258 pelo correio junto com o pagamento. Esse caminho costuma ser o mais barato, mas também o mais demorado.
A segunda opção é usar o sistema eletrônico direto do FBI, em que você se cadastra online, paga com cartão de crédito e depois envia apenas o cartão de digitais pelo correio para dar sequência ao processo.
A terceira opção, mais rápida, é recorrer a um FBI-Approved Channeler, empresa credenciada pelo próprio FBI para coletar e transmitir digitais eletronicamente. Esse caminho costuma entregar o resultado em poucos dias, contra semanas do processo tradicional.
Coleta das impressões digitais
As digitais podem ser coletadas de duas formas: com tinta, em um cartão FD-258, ou eletronicamente, por meio de Live Scan em locais credenciados. Departamentos de polícia, agências de fingerprinting e alguns correios participantes oferecem esse serviço mediante taxa.
É recomendável coletar as digitais com um técnico especializado, já que impressões borradas ou incompletas são a principal causa de rejeição do pedido pelo FBI, obrigando o solicitante a recomeçar tudo do zero.
Direto ao FBI ou por um Channeler: qual vale mais a pena
A escolha entre solicitar diretamente ao FBI ou por um channeler credenciado depende principalmente da urgência. O envio direto ao órgão federal costuma levar de 4 a 14 semanas, dependendo do volume de pedidos em análise.
Já um channeler aprovado consegue transmitir as digitais eletronicamente e devolver o resultado em poucos dias úteis, geralmente entre 3 e 5. A contrapartida é um custo adicional, que varia conforme a empresa escolhida.
Para quem tem prazo apertado em processos de imigração, casamento ou cidadania, essa diferença de tempo costuma justificar o valor extra pago ao channeler.
Quanto custa e quanto tempo demora
A taxa cobrada pelo próprio FBI para emitir o Identity History Summary é fixa: 18 dólares por pessoa, pagos por cartão de crédito, money order ou cheque administrativo em nome do Treasury of the United States.
Quem usa um channeler paga essa mesma taxa ao FBI somada ao valor do serviço de coleta e transmissão eletrônica, que costuma variar entre 35 e 75 dólares dependendo da empresa e da velocidade escolhida.
Quem não tem condições de pagar a taxa pode solicitar isenção, mediante comprovação de baixa renda enviada junto ao pedido, algo pouco conhecido mas previsto pelo próprio FBI.
Apostila e tradução: o que muda se o destino for o Brasil
Se a certidão será usada em território americano, geralmente basta apresentar o documento original recebido do FBI. Mas se o destino for o Brasil ou outro país signatário da Convenção de Haia, a apostila é obrigatória para que o documento tenha validade legal.
A apostila só pode ser feita sobre o documento físico original, emitido diretamente pelo FBI ou por um channeler autorizado, com selo e assinatura oficiais. Cópias notarizadas não são aceitas pelo Departamento de Estado americano para esse fim.
Depois de apostilada, a certidão normalmente também precisa de tradução juramentada para ser aceita por órgãos e cartórios brasileiros, já que o texto original vem em inglês.
Erros mais comuns que atrasam o processo
A maior parte dos atrasos na emissão da certidão de antecedentes criminais do FBI não tem relação com o histórico da pessoa, mas sim com falhas na coleta das digitais ou no preenchimento do formulário. Entre os erros mais frequentes estão:
- Impressões digitais borradas, incompletas ou com excesso de tinta;
- Cartão FD-258 fotocopiado em vez do original;
- Dados inconsistentes entre o formulário e o documento de identidade;
- Pagamento em valor incorreto ou em modalidade não aceita pelo FBI;
- Envelope dobrado, amassando o cartão de digitais durante o transporte.
Solicitar duas ou três coletas de digitais, sempre feitas por um técnico treinado, reduz bastante o risco de rejeição e evita ter que reiniciar todo o processo.
E se o resultado apresentar algum registro
Quando o FBI localiza algum registro vinculado às digitais enviadas, o Identity History Summary chega com o resumo das ocorrências encontradas, incluindo agência responsável, data e status do caso. Isso não significa, necessariamente, que o pedido de visto, cidadania ou outro processo será negado.
Caso a pessoa acredite que a informação está incorreta ou desatualizada, é possível contestar o registro diretamente junto à agência que originou os dados ou pelo canal de contestação do próprio FBI, anexando provas que sustentem a correção.
Antes de apresentar um resultado com pendências em qualquer processo oficial, o mais seguro é consultar um advogado de imigração ou um despachante especializado, evitando surpresas em etapas mais avançadas.
Reunir com calma cada etapa desse processo, das digitais até a eventual apostila, é o que garante que a certidão de antecedentes criminais do FBI chegue a tempo e sem retrabalho, seja para fechar um processo de cidadania, seja para voltar a morar no Brasil com toda a documentação em ordem.





