Eleições 2026: como está o cenário da corrida presidencial no Brasil

Eleições 2026: como está o cenário da corrida presidencial no Brasil

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Eleições 2026 chegam à reta final com uma disputa presidencial apertada, polarizada e cheia de incertezas. A poucos dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, as principais pesquisas mostram um cenário de empate técnico entre os dois nomes mais fortes.

De um lado está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta um quarto mandato. Do outro, o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que ocupa o espaço deixado pelo pai, hoje inelegível.

Para quem mora nos Estados Unidos, acompanhar essa corrida não é apenas curiosidade. Os EUA concentram o maior eleitorado brasileiro fora do país, e cada voto dado em um consulado entra na mesma conta dos votos depositados no Brasil.

Neste artigo, você vai entender o retrato atual das pesquisas, quem são os candidatos, quais temas movem o eleitor e o que muda para o brasileiro que vive em solo americano. O objetivo aqui é informar com equilíbrio, sem torcida por nenhum lado.

1. As pesquisas apontam empate técnico na reta final

O primeiro sinal da corrida presidencial é o equilíbrio. Os dois institutos de maior visibilidade no país, Datafolha e Quaest, registram Lula à frente no primeiro turno, mas com diferença que cabe na margem de erro.

No segundo turno, o quadro fica ainda mais apertado. Em uma das pesquisas, Lula aparece numericamente na frente; na outra, é Flávio quem lidera por um ponto.

Datafolha: Lula na frente, mas sem folga

O levantamento mais recente do Datafolha ouviu 2.002 eleitores entre 22 e 23 de setembro. No cenário estimulado de primeiro turno, Lula tem 40% e Flávio Bolsonaro soma 36%.

Com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, a distância de quatro pontos configura empate técnico. Na simulação de segundo turno entre os dois, o placar é de 47% a 45% para Lula.

Um dado chama atenção: na pesquisa espontânea, em que os nomes não são apresentados, 18% ainda se dizem indecisos. Quando a lista é mostrada, esse número cai para apenas 2%, sinal de que a maior parte do eleitorado já tem preferência.

Quaest: Flávio numericamente à frente no segundo turno

A Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre 17 e 20 de setembro. No primeiro turno, Lula aparece com 37% e Flávio com 33%, também dentro da margem de dois pontos.

No confronto direto de segundo turno, a posição se inverte: Flávio tem 42% e Lula, 41%. A pesquisa também registrou um volume maior de brancos, nulos e pessoas que dizem que não vão votar, chegando a 14% nesse cenário.

Os números lado a lado

CenárioDatafolha (22 e 23/9)Quaest (17 a 20/9)
1º turno: Lula (PT)40%37%
1º turno: Flávio Bolsonaro (PL)36%33%
1º turno: Augusto Cury (Avante)5%6%
1º turno: Ronaldo Caiado (PSD)4%4%
1º turno: Renan Santos (Missão)3%3%
2º turno: Lula x Flávio47% x 45%41% x 42%

Outra pesquisa divulgada no mesmo período, feita pelo BTG Pactual em parceria com o instituto Nexus, também mostrou empate no segundo turno, com 46% para Lula e 45% para Flávio.

Como ler uma pesquisa sem cair em armadilhas

Empate técnico acontece quando a diferença entre dois candidatos é menor ou igual à soma das margens de erro. Na prática, os números indicam que qualquer um dos dois pode estar na frente naquele momento.

Vale lembrar que pesquisa é uma fotografia, não uma previsão. Em 2022, alguns levantamentos apresentaram diferenças relevantes em relação ao resultado das urnas, principalmente na votação de candidatos da direita.

Outro ponto importante: o resultado oficial considera apenas os votos válidos, ou seja, exclui brancos e nulos. Por isso, os percentuais da apuração tendem a ser maiores do que os das pesquisas, que incluem todos os entrevistados.

2. A disputa se concentra em dois polos, mas não só neles

Ao todo, 13 candidatos disputam a Presidência em 2026. Apesar disso, a eleição gira em torno de dois nomes que, juntos, somam mais de 70% das intenções de voto nas pesquisas estimuladas.

Os demais candidatos aparecem com um dígito, mas isso não significa que sejam irrelevantes. Em uma disputa tão equilibrada, o apoio deles em um eventual segundo turno pode fazer diferença.

Lula (PT): a tentativa de um quarto mandato

Aos 80 anos, Lula disputa sua sétima eleição presidencial. Ex-metalúrgico e fundador do PT, governou o país entre 2003 e 2010 e voltou ao Planalto em 2023, após vencer Jair Bolsonaro em 2022 pela menor margem da história recente.

Seu vice na chapa é novamente Geraldo Alckmin (PSB). A campanha destaca indicadores como inflação controlada, desemprego baixo e crescimento econômico, além de propostas como a redução da jornada de trabalho sem corte salarial.

O desafio do presidente é a desaprovação, que chegou a 50% em setembro segundo a Quaest. Muitos eleitores relatam que a renda subiu, mas não o suficiente para acompanhar o custo de vida.

Flávio Bolsonaro (PL): o herdeiro político do pai

Flávio Bolsonaro tem 45 anos, é advogado e senador pelo Rio de Janeiro. Antes disso, cumpriu quatro mandatos como deputado estadual e foi escolhido pelo pai como sucessor político em dezembro de 2025.

Jair Bolsonaro está inelegível até 2030 por decisão do TSE e cumpre pena de 27 anos e 3 meses após condenação pela trama golpista. Com isso, Flávio passou a representar o principal campo de oposição ao governo.

Seu vice é o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). A campanha aposta em segurança pública com o programa que chama de “Brasil sem Medo”, redução da burocracia, controle da inflação e estímulo aos setores de energia e minerais críticos.

Um dos desafios apontados por analistas é o voto feminino, grupo que historicamente teve peso decisivo nas vitórias de Lula. Pesquisas recentes, porém, indicam avanço de Flávio entre mulheres jovens do Sudeste.

Augusto Cury (Avante): o outsider da autoajuda

Psiquiatra e escritor com mais de 42 milhões de livros vendidos, Augusto Cury, de 67 anos, disputa sua primeira eleição. Ele tenta atrair o eleitor cansado da polarização, com uma campanha fortemente digital.

Entre as propostas estão a criação de um cargo de primeiro-ministro, um ministério de inteligência artificial e um fundo internacional de combate à fome.

Ronaldo Caiado (PSD): a experiência como trunfo

Médico e produtor rural de 76 anos, Caiado deixou o governo de Goiás para concorrer. Seu vice é Gilberto Kassab, presidente do PSD e um dos articuladores mais influentes da política nacional.

O programa tem foco em segurança, reforma tributária e combate à corrupção. Uma das propostas é criar uma força policial continental, inspirada na Interpol, para enfrentar o tráfico de drogas.

Renan Santos (Missão): o candidato dos mais jovens

Empresário e ativista de 42 anos, Renan Santos também estreia em eleições. Ganhou força nas redes sociais e, segundo a AtlasIntel, chega a 25% das intenções de voto entre eleitores de 16 a 24 anos.

Ele defende um modelo econômico inspirado em Javier Milei, na Argentina, e uma política de segurança nos moldes de Nayib Bukele, em El Salvador.

Romeu Zema (Novo): o liberal de Minas

Governador de Minas Gerais por dois mandatos, Zema, de 61 anos, defende privatizações e uma agenda econômica liberal. Apoiou Jair Bolsonaro em 2018 e 2022, mas hoje busca se diferenciar de Flávio. Nas pesquisas, oscila em torno de 1%.

Os demais nomes na urna

Completam a lista candidatos de partidos menores, como Samara (UP), Leonardo Avalanche (PRTB), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO) e Wilson Grassi (Democrata).

Leonardo Avalanche substituiu Pablo Marçal, que teve a candidatura indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral.

3. Segurança, bolso e corrupção dominam a agenda do eleitor

O terceiro sinal está nos temas que movem o voto. Ao longo de 2025 e 2026, a segurança pública apareceu como a maior preocupação dos brasileiros, mesmo com a queda recente nas taxas nacionais de homicídio.

O custo de vida vem logo atrás. Juros altos, endividamento das famílias e a sensação de que o salário não acompanha os preços pesam na avaliação do governo e no discurso da oposição.

Nas últimas semanas, a corrupção voltou ao centro do debate. As investigações envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro apontam conexões com pessoas próximas às duas principais campanhas e alcançaram também ministros do Supremo Tribunal Federal.

Um eleitorado cansado da polarização

Pesquisa do BTG Pactual divulgada em setembro mostra que mais de 70% dos brasileiros consideram o país polarizado, e quase metade desse grupo diz estar desgastada com a divisão.

Esse cansaço aparece também na rejeição. Os dois líderes das pesquisas enfrentam índices de rejeição próximos de 50%, o que torna o segundo turno imprevisível e dá valor ao eleitor indeciso ou moderado.

Debates esvaziados na reta final

A campanha também ficou marcada pela ausência dos favoritos em alguns confrontos. A TV Record cancelou seu debate presidencial depois que Lula e Flávio Bolsonaro confirmaram que não participariam.

Para o eleitor, isso significa menos oportunidades de comparar propostas lado a lado. Por isso, vale buscar os planos de governo registrados pelos candidatos no site do TSE.

4. A relação com os Estados Unidos virou tema de campanha

Este é o sinal que mais interessa a quem mora em solo americano. As tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros, anunciadas em 2025 e ampliadas em 2026, entraram de vez no debate eleitoral.

A campanha de Lula explora o tema da soberania nacional, discurso que ajudou a melhorar sua aprovação em 2025. Segundo o Datafolha, 52% dos brasileiros acreditam que as tarifas têm motivação política ligada à eleição.

Já Flávio Bolsonaro defende uma aproximação com Washington. Ele apoia a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos EUA e propõe transformar o Brasil em fornecedor estratégico de terras raras para os americanos.

Por que isso importa para quem vive nos EUA

A política externa do próximo governo pode influenciar temas do dia a dia da comunidade brasileira. Comércio bilateral, preços de produtos importados, câmbio e o ritmo de atendimento consular estão entre eles.

Analistas lembram, porém, que os dois candidatos têm mais pontos em comum do que parece em áreas como comércio com a China e exploração de minerais críticos. A diferença maior está no tom e na forma de negociar.

5. O calendário que define o próximo presidente

O último sinal é o relógio. O primeiro turno acontece no domingo, 4 de outubro. Se nenhum candidato alcançar mais da metade dos votos válidos, os dois mais votados disputam o segundo turno em 25 de outubro.

A propaganda gratuita no rádio e na TV vai até 1º de outubro. Nos dias seguintes, ainda podem sair novas pesquisas, mas a lei eleitoral impõe regras para sua divulgação e registro.

Pelos números atuais, a tendência apontada pelos institutos é de segundo turno. Isso significa que o brasileiro nos EUA provavelmente será chamado às urnas duas vezes em outubro.

O peso do voto brasileiro nos Estados Unidos

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, 918.876 brasileiros estão aptos a votar no exterior em 2026, espalhados por 134 países. O número é 31,82% maior do que em 2022 e 358% superior ao registrado em 2010.

Os Estados Unidos lideram com folga: são cerca de 265,4 mil eleitores, quase 29% de todo o eleitorado brasileiro fora do país. Na sequência aparecem Portugal, com 134,7 mil, e Japão, com 88,3 mil.

Em uma eleição decidida por margens estreitas, esse contingente não é desprezível. Em 2022, a diferença entre Lula e Bolsonaro no segundo turno foi de pouco mais de 2 milhões de votos em todo o país.

Quem mora fora vota apenas para presidente

O eleitor com domicílio eleitoral no exterior escolhe somente presidente e vice-presidente. Como não está vinculado a nenhum estado brasileiro, ele não vota para governador, senador ou deputados.

A votação ocorre em 186 cidades do exterior, principalmente em consulados e embaixadas, mas também em escolas, hotéis e outros espaços autorizados. O horário segue o fuso local de cada cidade.

O que levar no dia da votação

O eleitor deve comparecer à seção onde está inscrito, indicada no e-Título ou no site do TSE. É preciso apresentar um documento oficial com foto, como passaporte, carteira de identidade ou o próprio e-Título, desde que exiba a foto do eleitor.

Como muitos locais de votação nos EUA ficam em grandes cidades, vale planejar o deslocamento com antecedência. Em algumas regiões, o eleitor pode precisar viajar horas até a seção mais próxima.

Não votou? Justifique dentro do prazo

Quem não conseguir votar precisa justificar a ausência para evitar multa e restrições. A justificativa pode ser feita pelo aplicativo e-Título ou pelo Sistema Justifica, em até 60 dias após cada turno.

O passo a passo completo está no nosso artigo sobre justificativa eleitoral para brasileiros no exterior.

Deixar o título irregular traz consequências práticas, como dificuldade para emitir ou renovar documentos. Entenda melhor essa relação lendo se é possível renovar o passaporte com título irregular.

Estou no Brasil no dia da eleição. Posso votar lá?

Não. Quem tem domicílio eleitoral no exterior só pode votar na seção em que está inscrito fora do país. Se estiver no Brasil no dia 4 ou no dia 25 de outubro, deverá justificar a ausência.

O mesmo vale no sentido contrário. O brasileiro com título registrado no Brasil que estiver nos EUA a passeio não consegue votar em um consulado e também precisa justificar.

Perguntas frequentes sobre as eleições 2026

Quando sai o resultado da eleição presidencial?

A apuração começa logo após o fechamento das urnas no Brasil, às 17h no horário de Brasília. Os votos do exterior só são divulgados depois desse horário, e o resultado costuma ser conhecido na mesma noite.

Jair Bolsonaro pode ser candidato?

Não. Ele está inelegível até 2030 por decisão do TSE e cumpre pena após condenação no Supremo Tribunal Federal. Seu nome não aparece na urna eletrônica.

Quantos votos um candidato precisa para vencer no primeiro turno?

É necessário ter mais de 50% dos votos válidos, ou seja, desconsiderando brancos e nulos. Se ninguém atingir essa marca, os dois mais votados vão ao segundo turno em 25 de outubro.

Posso votar em governador morando nos EUA?

Não. Quem tem título registrado no exterior participa apenas da eleição presidencial.

O que esperar dos próximos dias

As eleições 2026 caminham para um desfecho imprevisível. Com Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico e rejeições elevadas, os votos dos indecisos e dos eleitores de candidatos menores devem ganhar peso decisivo.

Para o brasileiro nos Estados Unidos, o recado é simples: confira seu local de votação, separe o documento com foto e mantenha o título em dia. Qualquer que seja sua escolha, participar é a forma mais direta de influenciar o rumo do país, mesmo a milhares de quilômetros de distância.

Dados das pesquisas atualizados em 28 de setembro de 2026. Os números podem mudar até o dia da votação.

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