Onde votar nos EUA é a dúvida que mais cresce entre brasileiros às vésperas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro de 2026. E não é por acaso: os endereços mudaram em relação a 2022 e a lista de 2022 não serve mais como referência.
Neste ano, 265.452 brasileiros estão aptos a votar em território americano. Eles vão se dividir entre 15 locais de votação espalhados por doze estados, segundo o Itamaraty.
Os Estados Unidos concentram 28,89% de todo o eleitorado brasileiro no exterior, à frente de Portugal e Japão. Isso significa filas maiores, mais seções e mais chance de confusão no dia.
O erro que mais deixa gente sem votar é simples: ir ao consulado de sempre sem conferir o endereço da própria seção. Em cidades como Nova York e Boston, a votação acontece longe da sede consular.
A seguir, você encontra todos os postos eleitorais brasileiros nos EUA, os endereços já confirmados, como consultar sua seção no e-Título, o que levar e o que fazer se não puder comparecer.
Quem pode votar nos postos eleitorais brasileiros nos EUA
Só vota nos Estados Unidos quem transferiu o título para a Zona Eleitoral do Exterior (ZZ) até 6 de maio de 2026. Depois dessa data, o cadastro eleitoral fechou e só reabre após o pleito.
Quem mora nos EUA, mas manteve o título vinculado a uma cidade brasileira, não pode aparecer no consulado e votar. Nesse caso, a saída é justificar a ausência.
Outro detalhe que confunde muita gente: quem vota no exterior escolhe apenas presidente e vice-presidente da República. Governador, senador e deputados ficam fora da urna montada nos EUA.
Também não existe voto em trânsito em consulados. Esse recurso vale só para quem tem título no exterior e estará em território brasileiro no dia da eleição, e o prazo para pedir terminou em 20 de agosto.
Se você ainda tem dúvidas sobre a situação do seu documento, vale ler nosso guia sobre como regularizar o título de eleitor para as eleições 2026 morando no exterior.
Lista dos 15 postos eleitorais brasileiros nos EUA em 2026
O governo brasileiro enviou ao Departamento de Estado americano a relação completa dos locais de votação entre o fim de junho e o início de julho. Além de Nova York, há postos em Atlanta, Boston, Chicago, Hartford, Houston, Dallas, Miami, Los Angeles, Salt Lake City, Orlando, São Francisco e Washington.
Na jurisdição de Boston, a votação foi descentralizada para Malden, Framingham e Hyannis. Somando tudo, chega-se aos 15 locais anunciados pelo Itamaraty.
| Jurisdição consular | Cidade de votação | Local e endereço confirmados |
| Nova York (NY, NJ e Pensilvânia) | Queens, Nova York | Queens College, 65-30 Kissena Blvd, Flushing, NY 11367 |
| Miami (sul da Flórida) | Miami | Miami Dade College, Kendall Campus, 11011 SW 104th Street, Miami, FL 33176 |
| Atlanta (GA, AL, MS, SC e TN) | Doraville | Atlanta Eagles Arena, 6616 New Peachtree Rd, Doraville, GA 30340 |
| Boston (MA, NH, ME e VT) | Malden, Framingham e Hyannis | Confira sua seção no e-Título |
| Orlando (Flórida Central e Norte) | Orlando | Confira sua seção no e-Título |
| Hartford (CT e RI) | Hartford | Confira sua seção no e-Título |
| Washington | Washington, D.C. | Confira sua seção no e-Título |
| Chicago | Chicago | Confira sua seção no e-Título |
| Houston (TX, OK, LA, CO e outros) | Houston e Dallas | Confira sua seção no e-Título |
| Los Angeles | Los Angeles e Salt Lake City | Confira sua seção no e-Título |
| São Francisco | São Francisco | Confira sua seção no e-Título |
A votação acontece das 8h às 17h, sempre no horário local de cada cidade. Um eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro, no mesmo horário.
Nova York: votação muda para o Queens College
Nova York é o caso que mais mudou. Em 2018 a votação ocorreu no Julia Richman Educational Complex e, em 2022, na Cathedral High School, ambos em Manhattan.
Em 2026, o posto foi transferido para o Queens College, que atende eleitores de Nova York, Nova Jersey e da região da Filadélfia. São 39.026 eleitores na jurisdição, contra cerca de 28 mil na eleição passada.
O campus fica a cerca de 16 km da sede do consulado e não tem acesso direto ao metrô. Para quem sai de Newark ou de outras cidades de Nova Jersey, vale planejar a viagem com antecedência.
Segundo o consulado, o espaço permite organizar as filas dentro dos prédios, sem espera na calçada. Parte da comunidade critica a distância e pede a volta da votação para Manhattan.
Boston: três cidades e o maior eleitorado dos EUA
A jurisdição de Boston lidera o país, com cerca de 53,4 mil eleitores aptos. Por isso, as urnas foram distribuídas entre Malden, Framingham e Hyannis, cidades com forte presença brasileira.
A regra aqui é rígida: você só vota na cidade vinculada ao seu título. Morar perto de Framingham não garante nada se sua seção estiver cadastrada em Malden.
Em eleições anteriores, o consulado recomendou transporte público, porque o estacionamento nas ruas próximas costuma ser limitado. A orientação continua valendo.
Miami e Orlando: Flórida dividida em duas jurisdições
Em Miami, os 40.109 eleitores votam no Miami Dade College, Kendall Campus. O consulado informa que, nas últimas eleições, o maior movimento aconteceu entre 11h e 15h.
Quem tem flexibilidade de horário deve chegar logo na abertura ou no fim da tarde. Mesmo assim, é bom contar com alguma fila.
Orlando atende a Flórida Central e Norte, incluindo Tampa, Jacksonville, Tallahassee e Pensacola. O consulado chegou a convocar voluntários para trabalhar como mesários, sinal de que o volume de eleitores deve ser alto.
Atlanta: arena em Doraville
Em Atlanta, a votação não acontece no consulado, mas na Atlanta Eagles Arena, em Doraville. O local atende Geórgia, Alabama, Mississippi, Carolina do Sul e Tennessee.
O consulado pede que o eleitor leve o título e um documento de identificação brasileiro com foto. A comunidade de Marietta, no condado de Cobb, fica a cerca de 30 minutos de carro, dependendo do trânsito.
Texas, Califórnia, Chicago, Hartford e Washington
No Texas, a jurisdição de Houston terá postos em Houston e Dallas, o que reduz as longas viagens de quem mora no norte do estado. Na Costa Oeste, há urnas em Los Angeles, Salt Lake City e São Francisco.
Chicago, Hartford e Washington completam a lista. Para essas cidades, o endereço exato da seção aparece no e-Título e na página de cada consulado, que pode atualizar informações até a véspera.
Como descobrir sua seção eleitoral nos EUA em 2 minutos
Desde 1º de setembro, o endereço exato da sua seção já está disponível nos canais oficiais da Justiça Eleitoral. Não confie em listas de grupos de WhatsApp nem em endereços de 2022.
Pelo aplicativo e-Título, o local de votação aparece logo na tela inicial, sem precisar de busca. Atualize o app antes do dia da eleição para evitar dados desatualizados.
Pelo site do TSE, o caminho é o Autoatendimento Eleitoral, opção Título Eleitoral e depois Onde votar. Basta informar CPF ou número do título, nome completo e data de nascimento.
Se a consulta mostrar alguma pendência, o atendimento ao eleitor no exterior é feito pelo TRE-DF, responsável pela Zona Eleitoral do Exterior. O contato pode ser feito pelo e-mail [email protected] ou pelo WhatsApp +55 61 99293-9773.
O que levar no dia da votação
O título de eleitor impresso não é obrigatório. O que você precisa mesmo é comprovar sua identidade diante da mesa receptora com um documento oficial com foto.
Os documentos aceitos incluem:
- Passaporte brasileiro
- RG ou carteira de identidade
- CNH brasileira
- e-Título com foto, desde que a biometria esteja cadastrada
Documentos americanos, como driver license ou green card, não substituem a identificação brasileira. Leve também o celular com o e-Título aberto, porque ele mostra o número da seção e agiliza a conferência.
Dentro da cabine, o uso de celular é proibido. Se quiser, leve uma cola em papel com o número do seu candidato.
Por que o endereço mudou em tantas cidades
O eleitorado brasileiro nos EUA cresceu cerca de 45% em relação a 2022. Os consulados simplesmente não comportam o fluxo de dezenas de milhares de pessoas em um único domingo.
Para resolver isso, o TSE liberou R$ 13,2 milhões para a locação de espaços no exterior. O Itamaraty trabalha com 66 endereços adicionais no mundo, 14 deles em território americano.
A legislação exige ao menos 30 eleitores aptos para instalar uma seção e manda abrir outra quando o número passa de 800. Seções com menos de 100 eleitores, mesmo após agrupamentos, podem votar em cédula de papel.
A preocupação com o ICE
A escolha de campi e espaços fechados também tem relação com o clima migratório. O Departamento de Estado avisou que a polícia americana não fará a segurança dos postos instalados fora dos consulados, tarefa que fica com o Brasil.
Oficialmente, o Itamaraty diz que a troca de endereço em Nova York se deve à falta de espaço. Nos bastidores, fontes do governo admitem o temor de operações imigratórias perto dos locais de votação.
Se a sua situação migratória é delicada, especialmente com processo de deportação em andamento, converse com um advogado de imigração antes de decidir. O voto é um direito, mas cada caso tem particularidades.
Não vai conseguir votar? Veja como justificar
O voto é obrigatório para brasileiros de 18 a 70 anos, inclusive no exterior. Quem não comparecer precisa justificar a ausência, mesmo que o motivo seja a distância até o posto eleitoral.
A justificativa pode ser feita pelo e-Título ou pelo Autoatendimento Eleitoral. Também é possível justificar presencialmente, no dia da eleição, em uma mesa receptora no exterior que tenha urna eletrônica.
Os prazos são diferentes para cada turno:
- Ausência no 1º turno, em 4 de outubro: justificativa até 3 de dezembro de 2026
- Ausência no 2º turno, em 25 de outubro: justificativa até 8 de janeiro de 2027
Quem faltar aos dois turnos precisa enviar uma justificativa para cada um. Explicamos o passo a passo completo no artigo sobre justificativa eleitoral para brasileiros no exterior.
Sem voto e sem justificativa, a multa é de R$ 3,51 por turno. O problema maior vem depois: o título irregular pode travar a emissão ou renovação do passaporte e outros serviços consulares.
Dicas práticas para não perder o dia
Em 2022, a abstenção entre brasileiros no exterior chegou a 63,36% no primeiro turno. Parte disso veio de gente que desistiu na porta, por fila, distância ou endereço errado.
Confira a seção no e-Título na véspera, não no domingo de manhã. Veja também a página do seu consulado, que pode publicar mapas, horários de pico e avisos de última hora.
Prefira transporte público ou carona combinada, porque estacionamento perto de campi e arenas costuma lotar. Leve água, carregue o celular e, se puder, evite o horário entre 11h e 15h.
Por fim, lembre que quem chega até as 17h e já está na fila tem direito de votar. Não vá embora só porque o relógio está perto do encerramento.
Perguntas frequentes
Posso votar em qualquer posto eleitoral brasileiro nos EUA?
Não. Você só pode votar na seção vinculada ao seu título, que aparece no e-Título. Comparecer em outra cidade não permite votar, mesmo dentro da mesma jurisdição consular.
Tenho green card ou cidadania americana. Ainda preciso votar?
Se você mantém a nacionalidade brasileira e tem entre 18 e 70 anos, o voto continua obrigatório. A dupla cidadania não dispensa as obrigações eleitorais no Brasil.
Vou estar no Brasil no dia da eleição. Posso votar lá?
Só se tiver pedido o voto em trânsito entre 20 de julho e 20 de agosto de 2026. Caso contrário, será preciso justificar a ausência pelo e-Título.
O que acontece se houver segundo turno?
O segundo turno será em 25 de outubro, das 8h às 17h no horário local. Em regra, o local de votação é o mesmo do primeiro turno, mas vale conferir o e-Título novamente.
Conclusão
Saber onde votar nos EUA em 2026 exige atenção redobrada. Os postos mudaram, as distâncias aumentaram em algumas cidades e só o e-Título mostra com certeza a sua seção.
Confira seu local com antecedência, separe um documento brasileiro com foto e planeje o trajeto. Se não der para ir, justifique dentro do prazo e mantenha o título em dia para não travar passaporte e outros serviços.